Zuzu Angel - O Filme!
Colaboração: Cris Passinato
Editora Regional - Rio
Caderno R - Jornal "O Rebate"
Especial em homenagem ao IZA ( Instituto Zuzu Angel) e às filhas de Zuzu que dividiram essa história conosco.
Não há como não se revoltar e entender como um país fértil, lindo e rico como o nosso não pode ser um país de sucesso e mais, um país desenvolvido.
Lógico, ele desde seu início foi errado.
Ele foi explorado quando colônia, foi sugado pelos países que só se interessavam nos seus recursos minerais (ouro e prata) e ainda com a nossa terra que produzia sempre mais café e cana, o que nos deixou um tanto quanto desgastados.
Quando liberto, na sua política monárquica falida, ainda teve seus louros, mas o país sempre teve governantes mais infelizes do que os competentes, e tardiamente ao meu ver conheceu a liberdade dos seus escravos e mesmo assim, sempre teve uma política latifundiária de beneficiar pessoas e proprietários de grandes latifundios sendo um país de vocação agrícola.
Com o presidencialismo, tivemos ditadores ou moderadores que eram líderes carismáticos mais que tudo e daí só soubemos o que era a venda de nosso país pra o exterior, apesar de muito ter sido proliferado que era a famosa evolução para o progresso, mas o mínimo imprescindível não se via fazer...
Mesmo assim, Juscelinos e Getúlios eram os melhores da safra de nossos presidentes que iriam declinar a sua fase mais negra quando tomado o poder pelos ditadores e violentos militares.
Esse ao meu ver foi a pior era, a da ditadura.
Ninguém que viveu sobre a névoa e o seu denso ar pode deixar de ou ainda ser meio que neurótico de guerra e viver com o temor por reflexo condicionado de outrora, ou mesmo tem ódio dos que foram seus algozes.
Não deixo nunca de pensar que esse passado negro só pode deixá-los com vergonha, mas quando vemos um milico vir falando dessa época, vem com um discurso tão nojento e porco, além de tudo passado.
Não credito quando eles falam que eles quem provocaram...
Como?
Defendendo-se com bolinhas de gude?
Lógico que o inimigo se arma quando a violência que o opõe cresce e como viveriam se não se defendessem e tentassem permanecer vivos?
Dá um ódio imenso, quando ouço dos meus próprios parentes que nem foi tanto assim, que já passou.
Mas será que não temos que nos lembrar de tudo isso, o tempo todo?
Lógico que temos!
Porque é o mínimo que posso fazer pelos que um dia lutaram e morreram pra que eu pudesse escrever aqui, por exemplo, para que eu conversasse na rua, num bar livremente sobre qualquer assunto de oposição ao governo com o qual a política não concorde, com a política educacional do meu colégio, faculdade e até do meu país, além de tudo, acho que até principalmente isso, que se eu tiver vontade de discursar em praça pública sobre isso, eu posso, e quando não se podia nem gesticular algo suspeito que era preso e torturado até dizer, ou não o que nem sabia, e muitas vezes alguns não sabiam mesmo, outros muitos sabiam, mas nunca falariam, pois não quereriam seus filhos reféns desse tipo de circunstância.
Acho que devemos mesmo discutir, crescer, pois como a Elke mesmo falou muitíssimo bem na pré-estréia e lançamento do filme, em um desses programas de TV, que: "as ervas daninhas só crescem em terreno infértil. Abusaram do país e fizeram por onde e por isso deixaram que isso se instituísse, não podemos é deixar que isso de novo aconteça, ou seja, não devemos permitir que façam as besteiras para que o podre se estabeleça e as ervas tomem força pra crescerem nesse terreno novamente..."
Fiquei estupefata, pois para maioria dos jovens de hoje, a Elke se não é ninguém é algum personagem caricato mais próximo ao traveco velho, como ouvi em uma comunidade, mas não sabem da inteligência, da exuberância e nem da metade da cultura dessa grega danada que ela sempre foi.
Na minha geração só achavam que ela se tratava da jurada engraçada que chamava todo mundo de criança e que gostava de sair com negões do programa do Chacrinha.
Só que muito se enganam.
Muito se enganam, em chamar a Zuzu de uma fútil que costurava para milico e só porque o filho morreu surtou e acabou fazendo um monte de coisas de louca, e mais ainda, que ela não sabia o que ela dizia, acreditam que eu já ouvi isso depois de comentar sobre o filme?
Outro engano deve ser sobre a colunista social do Jornal do Brasil, a filha da Zuzu, a Hildegard Angel, que a vejo como uma mulher discreta e que tenta fazer de sua coluna algo mais inteligente, mas já vieram me dizer que é muito fácil fazer da mãe uma heroína, pois compra fácil os cineastas que pode comprar, tanto com a grana, quanto com o lobby do social, quanto com as seus apontamentos nas colunas sociais.
Vi tão diferente nos olhos da Hilde, se ela me permitir, um dia chamá-la assim, pois depois de ter visto parte de sua juventude e como numa novela em que o público se aproxima do personagem o tratando com maior liberdade, eu penso que não vi nos olhos dessa mulher, hoje, engajada tanto pelo IZA (Instituto Zuzu Angel) quanto pelo semblante simples e até emocionado na festa da pré-estreia, que vestia uma camiseta, que deve ter sido confeccionada pra essa ocasião, aliás linda camiseta que a Rejane Alves vestia na última cena em que esteve com a Patrícia Pillar, e tão simplesmente acolhia e falava de um filme que era o retrato do legado de nada mais, nada menos que sua própria mãe, que definiram tão bem há um tempo atrás no "Linha Direta" como: "Mãe Coragem".
É assim que enxergo Zuzu, uma mãe que não teve tempo de ser como ela gostaria por conta de uma luta por sobrevivência com 3 filhos sozinha, e quando percebeu, já tinha perdido e nem sabia como e nem enterrar pode o seu único menino.
Foi justo, é justo uma mãe não poder enterrar o próprio filho?
O crime que Stuart cometera pra ser preso, torturado até a morte e ainda covardemente julgado quando cadáver com sua mãe presente, ainda?
É demais pra não se revoltar, mesmo tendo sido passado tanto tempo...
Não podemos nunca deixar que nossos filhos, entes queridos passem por uma coisa dessas!
Abra aqui o texto na discussão da comunidade do Orkut sobre ele, e aproveite e ingresse na mesma.
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